sexta-feira, 24 de julho de 2020

Que especialista o quê?

Ao passar do tempo tenho percebido uma crescente alta de "especialistas" em todas as áreas que possamos imaginar, nas que já conhecíamos e em outras que nunca nem ouvimos falar. Reflexo, sem dúvidas, do difícil momento em que vive nosso país ao que se refere à problemas emocionais/psicológicos, oportunidade de trabalho, disputa de mercado e exigências de experiências.

Contudo, a reflexão que levanto hoje para você é simples e pertinente: ainda que seja esse o panorama e cenário atual de nossa sociedade, não justifica, de forma alguma, qualquer sujeito bater no peito, intitular-se "especialista" e profeta de mudança de vida. O perigo posto aqui é grave. Milhares de pessoas, humildes, que buscam mais conhecimento ou ajuda, querem mudar de vida, subir degraus e evoluir. São tantos os que querem encontrar para si um novo rumo, melhorar seu cenário financeiro, ajudar sua família e assim, na maioria das vezes, essas pessoas de bom coração, se enveredam por caminhos que se apresentam com a máscara da facilidade, da oportunidade imperdível, do único e mais confiável lugar que sua vida (em dinheiro) possa ser depositada, então nada mais será o mesmo, tudo será novo - e isso eu não posso negar, o problema é que tudo se transforma não como a pessoa que busca, gostaria e procurava.
Podemos, agora, "dar nomes aos bois" (e as vacas também) como ouvimos no popular: refiro-me  aqui aos coaches sem formação ou de má-fé, que acham que falar "tudo vai dar certo" de fato dará tudo dar certo, que ensinar a gritar frente ao medo e as dificuldades, vencerá pelo grito e tudo se resolverá. Encontramos aqui os visionários, os iludidos que iludem; aos que por serem tão frustrados, sabem como alcançar outros tão frustrados quanto eles, mas humildes, que estão buscando sair de tal condição. Diríamos mais, aqui estão aqueles "malandros", profetas das ideias que não se realizam.

Por experiência própria, já conheci um sujeito desses: tal qual vendia para a empresa um "marketing diferenciado" - como eles gostavam de chamar (sempre achei graça dessa expressão) - , era um marketing voltado para um trabalho particular, HUMANIZADO - o problema, era que esse dito "profissional" não entendia bem de marketing, menos ainda de um trabalho humano, ou seja, de pessoas e seus anseios. Disso concluí mais uma coisa: até uma empresa que precisa contratar outra empresa para lhe dizer qual a razão do seu negócio, qual o sentido do seu trabalho, ela mesma não sabe onde está, o que busca, que e onde deseja chegar. Torna-se tudo muito vazio e ilusório.

Aristóteles guia esse nosso pensamento, pois afirmou ele em sua Obra Sobre o Céu: "um pequeno erro no início torna-se grande no final" e são grandes esses erros que estamos comentando aqui, mas há algo pior: os efeitos advindos desses erros! "Especialistas" em ansiedade e depressão, sem nunca terem cursado Psicologia ou estudado minimamente referências sobre comportamento e personalidades; "especialistas" em pensamentos, filósofos da verdade, que nunca leram um livro de Filosofia; milionários que fizeram seus fundos e sua vida com a promessa "vem e eu te ensino como ficar rico a partir e amanhã", podemos mudar esse texto por: "vem que eu te ensino como me fazer ficar rico com o dinheiro que você mal tem".

Esclareço aqui que não generalizo, mas não nego que é grande o número de indivíduos que se encaixam perfeitamente nessas linhas aqui escritas. Abra qualquer rede social, navegue por 10 minutos (no mínimo) e você comprovará isso.

Santo Tomás já dissera que "a realidade é o fim último do juízo" e foi com muita análise e reflexão que me dispus a escrever essas palavras, olhando bem atentamente a realidade. Torcendo com o coração para que pessoas humildes não caiam mais em tantos golpes e mentiras, que a voz da necessidade não se sobressaia a da Verdade, jamais.


Se buscarmos encontraremos verdadeiros especialistas, porque há grandes pessoas em todas áreas do conhecimento, profissionais de muito valor, dedicados e bem estudados coaches, filósofos, administradores, marketings... que nos ensinam que a vida tem sempre um sentido, motivos para ser feliz, que podemos correr atrás dos nossos sonhos e encontrar a Verdade em realizações justas, porém ... não escondem, jamais, que nessa mesma vida encontraremos sofrimentos, desilusões e com eles aprenderemos também a sermos melhores, mais ainda, apesar das tribulações e no sofrimento podemos encontrar (e encontramos) razões para viver e sermos felizes, como nos ensinou Viktor Frankl.

Por fim, nunca acredite que "os fins justificam os meios", mas faça sempre que os meios consagrem o fim de seus atos. Cuidado por onde tem buscado suas realizações, onde tem tentado realizar seus sonhos. Eles são sonhados dormindo e realizados bem acordados, com a alma e o corpo despertos, atentos. Então, atente-se mais e fuja dos milagreiros emocionais e econômicos, deixe ir para longe as falsas promessas. Esconda-se dos "lobos com pele de cordeiro" e prefira a voz do pastor, que lhe leva à Verdade!

Veritas, spem et vitam nostra!


Autor:
Lucas Mendes
Criador do Blog Filosofia do Hoje
Professor de Filosofia
Graduando em Psicologia

quarta-feira, 8 de julho de 2020

O medo é uma roupa que nunca sai de moda. E a moda é um medo que está sempre na moda.

A moda é um elemento influente na civilização desde o Renascimento. Atinge um número crescente de campos de atividades da mulher e do homem moderno. Uma percepção da moda deveria fornecer, portanto, para um entendimento de nós mesmos e de nosso modo de agir. E porque em vez de restringirmos nosso olhar ao setor das roupas, não consideramos que esse elemento penetra os limites de todos os outros campos do consumo e pensamos que sua consequente também adentra a política, a arte e a ciência?
A moda afeta o costume e a postura da maioria das pessoas em relação a si mesmas e aos outros. Muitas delas negariam isso, mas essa negativa é contradita por seus hábitos de consumo. Mas é possível dizer que todas as vestimentas servem de alicerce para tal sistema de significados? Duvidoso. É evidente que nem todas as vestimentas podem ser decifradas, de tal maneira que a palavra “moda” tem um referencial maior que “roupas”.

Oh, Milton? O que o medo tem a ver com a moda, ou a moda com a filosofia? Então, escrever um texto filosófico é uma provocação, pois trata-se de uma escrita reservada e vigilante. Os contextos devem ser claros e o estilo breve, caso contrário corre-se o perigo de não ser bem entendido. Daí vem o meu medo, o medo de tomar a decisão de escrever um texto filosófico referente a minha nova área de atuação, portanto, o medo está na moda e é inquietação permanente para a humanidade.


É uma metáfora? Sim. Culpa do medo? Vários medos envolvem a tomada de decisão de homens e mulheres. Existem o medo de errar, medo de perder, medo de fracassar, medo do desconhecido. Mas o medo de tomar decisões deriva da insegurança. Espontaneamente, nós sentimos medo como reação adequada de preservação. Este medo que nos resguarda é considerado um “bom medo”, visto que a carência dele nos abandona expostos à sorte.

Todavia, quando ele advém de maneira excessiva, pode nos neutralizar, furtando nosso livre-arbítrio de escolha. E escolher é, por vezes, uma questão desconfortante.

Certa vez, ouvi de um vendedor que tinha um elevado posto entre os demais vendedores numa loja de shopping. Posto dos sonhos de muitos outros jovens vendedores do mesmo local. Bom salário, nome no quadro de funcionário do mês, excelentes benefícios e o respeito conquistado pelos anos. Do outro lado, uma cliente com aparente estabilidade. Porém, mesmo com contexto benévolo, ela não se sentia feliz e definiu que não queria levar mais o novo vestido. Ela já estava certa de que não levaria, porém sua maior dificuldade era convencer suas amigas da sua sentença. Recebeu críticas do vendedor: “vestido igual a esse você nunca mais vai encontrar”. Todas as vezes que ela ensaiava o “não vou levar”, ela escutava as críticas. O medo a fez insistir numa compra infeliz.

Ser um encarcerado do medo é uma forma restrita de levar a vida. Ao nos encontrarmos com uma situação de insegurança é bom meditarmos à luz da sabedoria do escritor Mark Twain: “coragem não é a ausência do medo, e sim o enfrentamento dele”. Sim, é mais simples escrever do que praticar.

Oh, Milton? Eu compreendi o medo, mas e a relação da moda e a filosofia? A principal incumbência da “moda” para além de ensinar a produzir roupas ou acessórios, é nos fazer refletir sobre o “comportamento” dos consumidores. A notar comportamentos socioculturais e um universo em constante mutação. Essas percepções só acontecem com contribuição da filosofia. É preciso saber e entender a teoria da moda, entender sua existência e o que comunica através de códigos. 
A moda tem códigos? Eu respondo com uma citação do filósofo escocês, nascido em 1795, Thomas Carlyle: “todo o Universo exterior e o que ele contém nada é senão Vestimenta; e a essência de toda Ciência reside na filosofia das roupas”.


Autor: Milton José Júnior, o espião de estilo
Ator, escritor e criador de conteúdo

A alegoria da caverna – A República (514a-517c)

Sócrates: Agora imagine a nossa natureza, segundo o grau de educação que ela recebeu ou não, de acordo com o quadro que vou fazer. Imagine, ...