É importante
compreender que o conceito de “nada” possui duas vias na Filosofia: a primeira,
herdada de Parmênides (530 a.c – 460 a.c), explica o “nada” como “não-ser”, sem
existência, o que não é em totalidade, nem mesmo pode ser pensado. Depois,
Platão (428 a.c – 348 a.c), indica este mesmo conceito como “negação”, aquilo
que não é uma coisa, mas é outra.
Fazendo o que é o intuito primeiro deste blog, trazer a
Filosofia para os dias atuais, podemos ver um grande número de indivíduos que caminham
em busca do nada, combinando as duas versões de conceitos do parágrafo
anterior: alguns vão em direção ao nada, sem objetivo, sem esperança de
encontrar algo, buscam aquilo que não possui existência, nem mesmo em seus
pensamentos. Por outro lado, há aqueles que vão atrás do nada enquanto erros,
desvios, desilusões; esses têm um objetivo, querem chegar a algum lugar, mas
quando chegam entendem que não era aquilo que queriam.
Esse ciclo de buscas e desencontros expõe à dialética do
nada e do tudo!
Vivemos uma vida de momentos, sem expoente à longa
durabilidade de felicidade, bons sentimentos, fidelidade. Aliás, tudo se tornou
objeto de julgamento pelo tribunal da comparação; sendo a sua felicidade
verdadeira, suficiente ou não, se maior que a o outro. Assim, como os outros
sentimentos e também as relações, estas passam pelo júri comparativo.
Eis a era do autoengano, já mostrava com muita clareza
Zygmunt Bauman, que vivemos tempos líquidos; o amor é líquido, a modernidade é
líquida e com ela tudo o que foi relativizado e modernizado. Não existe mais
segurança da felicidade, não se pode ser feliz sem expor nas vitrines digitais
sociais. Mais além, é condenado aquele que defende um caminho feliz longe do
ter, mas garantido pelo ser.
Pessoas tentam fugir de si, mergulhando no nada e
buscando o tudo que nunca será encontrado neste caminho. Dentro está o vazio,
que é semeado, cultivado e frutificado pelo nada. É o que se encontra. É onde
se vive. “Se olhares demasiado tempo para dentro de um abismo, o abismo acabará
por olhar para dentro de ti”. (NIETZSCHE, Friedrich. Além do Bem e do Mal, 146).
Não se satisfaça com o pouco, que leva ao vazio. Queira
mais, busque tudo, encontre sentidos e valores que lhe ajudem neste caminho.
Não tenha medo! Não deixe que lhe roubem sua identidade, sua verdade.
Encerro deixando algumas questões que pode servir como
bússola neste momento. Pergunte-se: “Onde está minha singularidade? Aonde foi
parar minha autenticidade? O que está pautando minhas decisões? Eu tenho tudo e
parece que não tenho nada? O que significa para mim tudo e nada?”.
Espero
que tenha um ótimo encontro consigo e seja feliz!
Nemo
dat quod non habet!

