sexta-feira, 19 de junho de 2020

A Filosofia no mundo atual


Durante os seus anos acadêmicos, é bem provável que você tenha frequentado (ou frequenta atualmente) aulas de Filosofia, onde sempre tratamos de grandes filósofos e passamos pela Filosofia Antiga até a chegada da Filosofia Contemporânea. Porém, você sabe o que é a Filosofia? Talvez, nunca tenhamos parado para pensar nisso, mas podemos dar aqui uma definição bem simples: “amor à Sabedoria”; considerando assim um filósofo como um amante da sabedoria. Ela basicamente nos ajuda a entender a realidade, através de questionamentos e críticas, além de transformar nosso conhecimento passivo em ativo (“saber pelo saber”).

“Filosofia”, palavra originada do grego philosophia (philos: amor/admiração; sophia: sabedoria), não apresenta sentido prático-material, como construir uma casa, por exemplo, contudo faz-nos perceber que possui uma utilidade de valor, algo ALÉM da prática material. Sabendo disso, podemos dividir as formas de conhecimento em dois tópicos: nominal, onde o conhecimento é superficial, e real, onde há a especificação do mesmo.
Como podemos ver, essa “disciplina escolar” tem muito a nos oferecer, podendo nos auxiliar em inúmeras questões; e por que isso não é valorizado ultimamente? Essa resposta pode ser bem óbvia, na verdade: pois a Filosofia nos proporciona um conhecimento ATIVO, nos fazendo questionar até mesmo as coisas realizadas por autoridades nos dias de hoje; e esse é o objetivo deles, não serem questionados.
Quando vemos os acontecimentos através da Filosofia, podemos viver um “thauma”, palavra de origem grega, que representa admiração ou espanto diante da realidade, a surpresa pela vida. E assim que vivenciamos isso, nosso amor ao saber tende a crescer absurdamente; afinal, apesar de tudo, o saber apresenta valor independentemente da utilidade.

Devemos sempre lembrar que a ciência busca sempre o “como é” das questões, enquanto a filosofia busca o “o que é”, “por que” e “para que” das mesmas. Além de nos oferecer milhares de benefícios, assim como ofereceram no passado, tudo que precisamos fazer é reconhecer e admitir que “todos os homens por natureza, tendem ao saber” como nos ensinou Aristóteles.   



Autora:
Mariana Blasques Lombardi de Morais
15 anos
Aluna: 1º Ano Ensino Médio/SP


segunda-feira, 8 de junho de 2020

Carta ao "Novo Normal"

Ao que chamaremos "Novo Normal"? De onde vem essa expressão e quem ousou se alegrar ao usá-la? Porque será "Novo Normal", se o que é normal, de fato, nunca foi cumprido e nem se quer fora conhecido?

Será o "Novo Normal" que mudará, então, nossas vidas?! Será ele que falta para que homens e mulheres ajam normalmente?! Quando foi definido um novo parâmetro de normal?  Porque, por onde olho, do lado de fora, tudo continua igual (para não dizer pior). Que normalidade é essa que além de carregar um prefixo "novo", traz em si a mediocridade humana, o desvalor contínuo entre as relações e as classes?

Como assim classes?! Não é necessário ser marxista, comunista, petista, esquerdista para levantar este tema. E onde entram as classes nessa história? Infelizmente, não vem apenas do pobre ficando mais pobre e o rico cada vez mais rico por meios injustos. (Aos ricos por mérito, meus parabéns!)

Vejam só:

É só parar um pouco, sem muito esforço, para ver o sentido do "Novo normal". Ele está caracterizado pelas máscaras em nosso rosto ao sair de casa; no "alkingel" na bolsa, no bolso ou na mochila... mas, quem dera fosse só por essas básicas regras de higiene, que devem ser rigorosamente adotadas.

Caminhemos mais um pouco, esforcemo-nos para ver ainda mais além: esse "Novo Normal" traz consigo o entusiasmo dos shoppings reabrindo, dos escritórios funcionando a todo vapor, nas possibilidades daquela 'escapadinha' para abaixar a máscara na roda de colegas e amigos que a quarentena marcou com a saudade física... E podemos já parar por aqui, nessa caracterização.

Por essa pequena pincelada de olho nessas questões, levanto outras: E para quem nunca sentiu a diferença da porta dos shoppings estarem abertas ou fechadas pelo simples fato de serem rechaçadas ao passarem por elas? E àqueles que são tidos como incapazes de pisar em qualquer tipo de escritório, empresa, universidades...? Também tem aqueles esquisitos, anti-sociais, dramáticos, depressivos, insuficientes para qualquer tipo de relação 'que preste'. Ah, eles que permanecem no "Velho Normal", que nunca foi normal, que permaneçam sufocados e submissos à imposições de que tudo aquilo é normal, para eles é normal, deve ser normal. E que não reclamem dessa normalidade!

Quantos vivem conforme Fernando Pessoa uma vez escreveu na poesia "Aniversário":
"Quando vim a ter esperanças, já não sabia ter esperanças  
Quando vim a olhar para a vida, perdera o sentido da vida"

Não podemos continuar enterrando esperanças alheias, saqueando da vida os sentidos que a movem, que têm o poder de transformar. Não podemos permanecer acreditando em algo "Novo", onde tudo se encontra "Velho, sujo, estragado..."; não podemos!

Em uma outra poesia, dessa vez chamada "Ah, um soneto...", Fernando pessoa registrou uma grande verdade:
"Há grandes raivas feitas de cansaços"

Cuidemos dos cansados e excluídos, que se revoltam pelo "Novo" apresentado, sem terem lhes dado a chance de viverem algum passado que por alguns tornou-se "velho".

Que os nossos cansaços venham a descansar muitos por aí e que a normalidade seja recuperada, verdadeiramente vivida e não reinventada, que não seja ela mais uma vez caracterizada por um romance de conto de fadas, onde apenas alguns podem ler, ver, sonhar e conquistar.

Vamos acordar! Olhar o mundo a nossa volta! Há tempos o normal sumiu, nada mais está normal, não pode-se aceitar um "Novo Normal" tão doente quanto a sociedade atual.



Pax vobiscum!

A alegoria da caverna – A República (514a-517c)

Sócrates: Agora imagine a nossa natureza, segundo o grau de educação que ela recebeu ou não, de acordo com o quadro que vou fazer. Imagine, ...