quinta-feira, 7 de maio de 2020

Em tempos de máscaras, os olhos voltam a falar

Em tempos que máscaras escondem a face e suas expressões, resta ao olhar sua devida função há muito esquecida, deixada para trás. Ao longo do tempo o olhar perdeu seu valor, sua essência de comunicar e transmitir a informação do coração, da alma.


Hoje, tomados por uma pandemia, máscaras escondem o sorriso, os traços que comunicavam nossas reações faciais em inúmeras situações. Porém, o olhar está desnudo, agora ele é protagonista e tem a fala principal na vida. 

Talvez, ele se encontre um tanto quanto tímido, pois se acostumou estar nos bastidores; aprendeu como enganar através de um sorriso falso, que ganhando a cena, ludibriava qualquer pessoa seguido de um mexer dos lábios que afirmava: "está tudo bem".

Os olhos não enganam, eles não sabem falar mentiras; agora os olhares se conversam e comunicam dizendo: "não, não está tudo bem". 

Está na hora de reeducar o olhar.


Ele está fadado à encarar a realidade atual, vendo tanta pobreza, tantas mortes, tanto desespero. E alguém há de ter a coragem de fechá-los para esta realidade? (Sabemos bem a resposta) 

A educação do olhar agora é urgente. É direcionado-o para o alto que encontraremos sentido em meio ao caos estabelecido aqui em baixo. Devemos, mais que nunca, usar o olhar como porta de entrada a tantos corações necessitados de uma presença, de um sentido. 


Olha e vê. 

Se quiser que tudo mude, comece assim; olha e não ignora, mas olha e vê. Vê e faça. Faça e não espere nada em troca.

Olha para o que está na sua frente, aos lados e atrás também, estende as mãos e dê sentido à sua vida dando sentido à vida de outros. Experimente olhar e deixar-se encontrar pelos olhares que hoje procuram um abrigo.

Preocupe-se menos com o que está coberto e mais com os olhos nus, expostos, clamando por vida!

"O que interessa [...] 
é atribuir um olhar poético sobre a realidade, 
lançando-se no mar de suas possibilidades" 
(Luciano da Silva Façanha e Leonardo Silva Sousa. Angústia e desespero como possibilidade de construção da existência humana a partir da filosofia de Sören Kierkegaard)

segunda-feira, 4 de maio de 2020

ESCOLHA, SEMPRE!

"O homem é fruto de suas escolhas", dizia Sartre. 

"Toda escolha gera angústia [...] ao negar escolher, escolhe-se", afirmava Kierkegaard. 


Fugir das escolhas da vida é impossível, caímos nelas a cada milésimo de segundo, em cada pensamento. Por meio delas ganhamos e perdemos, sentimos alegrias e tristezas, chegamos  à conclusões ou perdemos a razão. 

Contudo, vamos formando aquilo que somos e agregando o que é nosso, escolhendo o que acreditamos ser o melhor e forjando o que precisa ser concertado, reestruturado. Se não, cabe permanecer no erro, o vazio existencial terá seu 'pico', levando a vida à uma vida de vícios.

A angústia é capaz de amedrontar e impulsionar. Gera a ansiedade do novo que está por vir e do que podemos perder. 

É arriscando que a vida ganha sentido, seja lá qual nome possua o sentido de sua vida. 

Enquanto houver a possibilidade de ser e não-ser, o homem se angustiará e fugir disso será seu suplício, seu suicídio. Fugir da angústia gerada pelas possibilidades da vida pode ser uma escolha, que alcançará o início de um único ciclo vicioso: o desespero de ter de continuar fazendo escolhas, escolhas e mais escolhas. Escolher é o mesmo que respirar enquanto se vive; se a vida se enfraquecer, as escolhas permanecerão como que aparelhos respiratórios. 

Vale a reflexão: Quais escolhas tenho tomado? Em quem elas têm me tornado? Será que vou ganhar escolhendo perder isso ou aquilo?

Escolhas rasas ou escolhas profundas, elas estão aqui, ali e lá. Aceite a possibilidades, opte por ser melhor!

Construa-se e reconstrua-se, sempre.

A alegoria da caverna – A República (514a-517c)

Sócrates: Agora imagine a nossa natureza, segundo o grau de educação que ela recebeu ou não, de acordo com o quadro que vou fazer. Imagine, ...