segunda-feira, 30 de dezembro de 2019

Ano novo será novo?


Estamos chegando as vésperas de mais um novo ano, que estamos indo ao encontro, buscá-lo para que sua entrada seja bem-vinda e com toda novidade que esperamos.

Só que... você já parou para pensar que isso que chamamos de "ano", "ano novo", nada mais é do que o TEMPO? O tempo Chronos, tempo temporal, que nossos relógios registram e nos informam, tempo que nunca é, porque passa ou esperamos que seja no futuro, no daqui a pouco ou no ano que vem. Um pouco confuso, né?! Sim, é mesmo.

É com muito 'temor e tremor' que eu trago agora uma breve introdução ao pensamento do filósofo Santo Agostinho acerca do TEMPO, acreditando que muito está conectado com o momento que vivemos hoje, nessa espera ansiosa de um novo ano que está para chegar.

Talvez, quem sofra de um alto grau de ansiedade já esteja vivendo 2020 na imaginação, nos planos do que tem programado para fazer, dos compromissos de trabalho, escola, faculdade. Nossa! Quanta coisa que ainda não é, ou seja, ainda não existe; e quem lhe garante que existirá? Quem lhe garante a chegada de 2020? Como isso parece pessimismo, não é? Mas, na filosofia de Agostinho entendemos que: passado, presente e futuro, não existem!

O passado já foi, não possui existência. O futuro está para chegar, sem garantia, pode ser que não chegue, então, assim como não possui existência, está na possibilidade de nunca possuir. O presente... agora você poderá pensar: 'sim, o presente existe, é o agora que vivenciamos...", mas você já tentou quantificar o presente? Quantos segundos ou milésimos de segundos possuem o agora? O agora era ou ele será, quando poderíamos afirmar que ele é, já deixou de ser.

Neste caminho, Agostinho compreende que o tempo é fruto da nossa imaginação e só existe para nós, seres humanos, dotados de razão. E o tempo que possui existência, o tempo que verdadeiramente é, bem como, era e sempre será é a Eternidade!


E nós somos seres duais, temos em nós parte temporal (corpo) e parte atemporal/eterna (alma). O quanto cuidamos de ambas as partes? Ou cuidamos apenas de uma? E ainda na pior das hipóteses, será que não cuidamos de nenhuma?

Com esse texto não quero incentivar a inércia ou a falta de expectativa sobre o futuro que poderá chegar, mas chamo a atenção para que voltemos a atenção para como tem sido a nossa vida de hoje e nossa espera do amanhã, até mesmo, nossa relação com o passado. O passado se presentifica em nossa memória, precisamos cuida-lo também.

Assim afirma C. S. Lewis em seu livro 'A última noite do mundo': "O importante não é que devemos sempre temer (ou esperar) o Fim, mas que devemos sempre nos lembrar dele, sempre levá-lo em conta.", mais a frente convida à reflexão: "E se a noite de hoje fosse a última noite do mundo?"

Ainda é 2019, pode parecer que não, mas ainda é. Podemos ainda amar este ano, fazer o bem, pedir perdão, buscar reconciliação e a paz. Se puder fazer agora, faça. Acredito que isso será já uma novidade que a expectativa do novo ano lhe derá. Porque se você não for diferente, 2020 não será, sua vida menos ainda, porque é ela que vivenciará cada momento do próximo ano. Então, busque vida nova para um novo ano, busque o alto, a Eternidade.

Que o amor esteja em seu coração e a sede de fazer o bem lhe conduza sempre ao melhor da sua vida!

Continuaremos falando sobre o tempo, se Ele nos permitir e der existência ao futuro...









Um comentário:

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