quinta-feira, 9 de janeiro de 2020

Dê valor ao seu tempo!

Continuando o pensamento sobre o tempo, já podemos concluir uma coisa: falar sobre o tempo não é uma tarefa fácil. É um tema clichê no mundo da Filosofia, cheio de ideias, opiniões e forçadas conclusões. Mas, quando nos deparamos com a Filosofia do grande Santo Agostinho, que introduzi no texto anterior, encontramos um ar de esperança, uma luz que vai clareando e dissipando as sombras da grande questão: "o que é o tempo?"

O Chronos, tempo físico, está sempre aberto às nossas perspectivas psicológicas, ou seja, quando fazemos algo que gostamos o tempo simplesmente 'voa', mal iniciamos e já finalizamos; e quando fazemos o que não gostaríamos ou somos obrigados a fazer, ah, o tempo parece que para, simplesmente.

Se o tempo está aberto às nossas percepções psicológicas, disso podemos entender que cada momento vivido é refém do grau de investimento que colocamos nele. Um grande grau de investimento em X situação, tem a capacidade de nos envolver por inteiro, gerar uma mudança interna ou externa, seja da forma de agir, falar, olhar, sentir. Digo 'X momentos' porque essa mudança pode vir pela experiência com outras pessoas, mas também pode acontecer através de um livro bem lido, pela contemplação de uma obra de arte que me causou um envolvimento profundo com a Beleza. Para isso preciso viver verdadeiramente cada momento.

A memória nos conscientiza que o tempo está passando, pessoas que nos marcaram, fatos que nos tocam até hoje, fotografias de 10 anos atrás; possuímos muitas provas sobre a realidade do tempo e o seu avanço. Porém, na dinâmica dos dias, quando dizem que "tempo é dinheiro", ou seja, ele não possui mais valor, só é  permitido ter tempo quem tem dinheiro e o bolso é o relógio que escraviza.



O óbvio precisa ser dito algumas vezes, pois, então: NÓS PRECISAMOS DE TEMPO!!! Precisamos viver nossos momentos. Necessitamos urgentemente!!! Olhamos para o campo da Biologia e ela nos prova que no mundo vegetal e animal tudo passa, tudo se acaba em algum momento. Viramos para engenharia e encontramos uma frase interessante: "as pontes cansam", já tivemos provas em São Paulo disso; as coisas se deterioram, descascam, quebram. Se ponte cansa, quem dirá o ser humano?! Tudo precisa ser refeito em algum momento, isso faz parte do desgaste dos materiais e nosso corpo é matéria e espírito, portando é necessária uma dupla renovação!   

O desgaste nos faz perder vínculos, conexões, capacidades. De repente, não temos mais ninguém a nossa volta, somos tal qual ponte cansada, enferrujada, despedaçada, que basta um sopro de vento para desmoronar. Não permitamos isso, não deixemos que nosso tempo seja roubado por quem não o possuirá jamais. Não desprezemos nosso tão precioso tempo. Isso pode custar caro.

Convido você a buscar viver o AQUI e o AGORA, dedicando-se a tudo que necessita da sua atenção, do seu trabalho e tempo. Esteja no que faz, faça com amor ou, ao menos, por amor. Estreita seus laços com os momentos que a vida lhe oferece para que sejam vividos, experienciados. Não perca a oportunidade de abrir a boca para respirar em meio ao mundo que lhe sufoca pelo nariz.

Ainda temos muito para falar sobre o tempo, precisamos mergulhar um pouco na Eternidade (Kairós), porque o aqui e o agora não nos bastam, mas é nossa vivência neles que nos garantiram um futuro eterno e feliz! É a Eternidade o sentido de tudo, cuja sede que temos de vida só será nela saciada.

Continuaremos em breve com mais reflexões sobre o tempo em direção a Eternidade!

"Criaste todos os tempos e existes antes de todos os tempos. E não existia tempo quando não havia tempo" (Santo Agostinho. Confissões, Livro XI; 13,16)



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