Na Mitologia Grega, Chronos
é o pai dos deuses, mas tem em si a atitude maligna de devorar seus filhos. Chronos é como classificamos o tempo!
Esse mesmo tempo que podemos verificar no relógio com o passar dos segundos,
minutos... pode-se observar sua impiedade ao devorar a todos que estão
submetidos a ele, isto é, quem resiste ao tempo? Somos todos seus filhos consumidos
por ele um pouco a cada dia até chegar o dia da atemporalidade.
Interessante notar que na mesma Mitologia Grega existe um
outro deus de aparência franzina e débil, Kairós!
Filho mais novo de Zeus, é caracterizado com um único cacho de cabelo na testa.
O que entender da relação de Chronos
e Kairós?
A tradução de Kairós
é “o tempo oportuno”. Não se trata do
tempo que nos consome, mas o tempo dentro do tempo que nos edifica, nos
aprimora, nos salva, nos liberta, nos faz crescer. Kairós é o mistério do tempo oportuno de crescimento do eu
escondido dentro do Chronos! Como
todas as vezes que eu ou você vivemos nossa vida rotineira, vivendo os minutos
e segundos de nossa existência e, do nada, nos deparamos com um acontecimento
que nos muda, nos engrandece, nos transforma fazendo o ordinário da vida ser
absorvido pelo extraordinário que não passa.
Uma vida vivida sem sentido, sem expectativas, sem o elã
querido pelo Criador, pode ser resignificada quando percebe que esse é o tempo
oportuno de mudança, de crescimento, de reação, de criar novas perspectivas, um
novo tempo de oportunidades, que pode se estabelecer até mesmo dentro das
piores crises.
Kairós não é o
contrário de Chronos. Kairós é o modo correto de viver o Chronos, o extraordinário no ordinário! E
você agora pode se perguntar: mas por que Kairós
só tinha um cacho de cabelo em sua testa? Porque a oportunidade de agarrar o
novo tempo é rara e só se pode fazer quando a encaramos de frente.
Termino com uma frase de Santo Agostinho quando ele diz: “tenho
medo da graça que passa sem que eu perceba”. Podemos aplicar na nossa vida
dizendo: Tenho medo do kairós que se
apresenta na minha vida e não sei vivê-lo.
"Sicut erat in princípio, et nunc et semper..."

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