quinta-feira, 12 de dezembro de 2019


“Só sei que nada sei...”

Quem sabe seja a frase mais famosa da História da Filosofia: “Só sei que nada sei”, falada por Sócrates, escrita por Platão e conhecida por todos.

Mas, quem entende essa afirmação e seu conteúdo? Como pode alguém saber que não sabe? É muitíssimo importante entender como e para que Sócrates usava esta afirmativa.

Como um grande perseguidor da Verdade e sábio, se utilizava de um método, chamado de “maiêutica”, para alcança-lA e para levar os demais até Ela. Pela via dos questionamentos o Filósofo levantava a curiosidade em seus interlocutores, afirmava não saber sobre os assuntos propostos nos diálogos e ao final, "invertendo o jogo”, mostrava que quem falava estava errado e ele, que ouvia atento, formulava questões sobre o que era falado, possuía a sabedoria sobre tal.

Vê-se as mais variadas fontes de informações hoje em dia, os mesmos temas com diferentes conceitos, explicações... as mesmas histórias com diferentes protagonistas, às vezes, o mesmo início, mas nunca o mesmo fim. O certo e o errado vão depender da boa vontade de quem conta e não do que de fato verídico.

E a sua postura diante de tantas divergências sobre um assunto? Escolhe o que mais lhe convém saber, que compactua com suas ideias ou vai atrás da fonte nascente? Aquela que contém o fato em si.

Que perigo vive-se hoje do mal jornalismo, das famosas “fake News” e afins. Se não houver a disposição da pesquisa, o anseio pelo Verdadeiro, nunca haverá evolução de cidadãos que obtêm real conhecimento e, assim, formulam seus conceitos e os defendem com toda certeza, porque sabem que estão seguros no que acreditam e se preocupam e não propagar difamação, mentiras, "boatos"...

Cuidado com os que tudo sabem; quando na época de Sócrates eram chamados “Sofistas”, pois não se preocupavam com a Verdade, mas sim em passar informações, conteúdos e serem vistos como aqueles que ensinam. Não importa o quanto você sabe, mas o que você sabe, se não há uma "poeira" de mentira para mais ou para menos e o que faz com este saber.

Aprofunde-se nos assuntos que giram em torno de você, do seu ambiente de convivência. Opine sempre, mas nunca levante a bandeira do “EU SEI”, mas sim do “EU QUERO APRENDER”. E encontre o método maiêutico de ensinar aprendendo.

Questione, questione, questione... nunca se contente com as informações que vêm fácil, vá, busque a Verdade, não tenha medo. Se necessário, se retrate, diga que errou, mas não se conforme com a mentira, a falsidade, a destruição do saber!

AUDE SAPERE! OUSE SABER!

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