A moda é um elemento
influente na civilização desde o Renascimento. Atinge um número crescente de
campos de atividades da mulher e do homem moderno. Uma percepção da moda
deveria fornecer, portanto, para um entendimento de nós mesmos e de nosso modo
de agir. E porque em vez de restringirmos nosso olhar ao setor das roupas, não
consideramos que esse elemento penetra os limites de todos os outros campos do
consumo e pensamos que sua consequente também adentra a política, a arte e a
ciência?
A moda afeta o costume e a
postura da maioria das pessoas em relação a si mesmas e aos outros. Muitas
delas negariam isso, mas essa negativa é contradita por seus hábitos de
consumo. Mas é possível dizer que todas as vestimentas servem de alicerce para
tal sistema de significados? Duvidoso. É evidente que nem todas as vestimentas
podem ser decifradas, de tal maneira que a palavra “moda” tem um referencial
maior que “roupas”.
Oh, Milton? O que o medo tem a
ver com a moda, ou a moda com a filosofia? Então, escrever um texto filosófico
é uma provocação, pois trata-se de uma escrita reservada e vigilante. Os
contextos devem ser claros e o estilo breve, caso contrário corre-se o perigo
de não ser bem entendido. Daí vem o meu medo, o medo de tomar a decisão de
escrever um texto filosófico referente a minha nova área de atuação, portanto,
o medo está na moda e é inquietação permanente para a humanidade.
É uma metáfora? Sim. Culpa do
medo? Vários medos envolvem a tomada de decisão de homens e mulheres. Existem o
medo de errar, medo de perder, medo de fracassar, medo do desconhecido. Mas o
medo de tomar decisões deriva da insegurança. Espontaneamente, nós sentimos
medo como reação adequada de preservação. Este medo que nos resguarda é
considerado um “bom medo”, visto que a carência dele nos abandona expostos à
sorte.
Todavia, quando ele advém de
maneira excessiva, pode nos neutralizar, furtando nosso livre-arbítrio de
escolha. E escolher é, por vezes, uma questão desconfortante.
Certa vez, ouvi de um vendedor
que tinha um elevado posto entre os demais vendedores numa loja de shopping.
Posto dos sonhos de muitos outros jovens vendedores do mesmo local. Bom
salário, nome no quadro de funcionário do mês, excelentes benefícios e o
respeito conquistado pelos anos. Do outro lado, uma cliente com aparente
estabilidade. Porém, mesmo com contexto benévolo, ela não se sentia feliz e
definiu que não queria levar mais o novo vestido. Ela já estava certa de que
não levaria, porém sua maior dificuldade era convencer suas amigas da sua
sentença. Recebeu críticas do vendedor: “vestido igual a esse você nunca mais
vai encontrar”. Todas as vezes que ela ensaiava o “não vou levar”, ela escutava
as críticas. O medo a fez insistir numa compra infeliz.
Ser um encarcerado do medo é uma
forma restrita de levar a vida. Ao nos encontrarmos com uma situação de insegurança
é bom meditarmos à luz da sabedoria do escritor Mark Twain: “coragem não é a
ausência do medo, e sim o enfrentamento dele”. Sim, é mais simples escrever do
que praticar.
Oh, Milton? Eu compreendi o medo,
mas e a relação da moda e a filosofia? A principal incumbência da “moda” para
além de ensinar a produzir roupas ou acessórios, é nos fazer refletir sobre o
“comportamento” dos consumidores. A notar comportamentos socioculturais e um
universo em constante mutação. Essas percepções só acontecem com contribuição
da filosofia. É preciso saber e entender a teoria da moda, entender sua
existência e o que comunica através de códigos.
A moda tem códigos? Eu respondo
com uma citação do filósofo escocês, nascido em 1795, Thomas Carlyle: “todo o
Universo exterior e o que ele contém nada é senão Vestimenta; e a essência de
toda Ciência reside na filosofia das roupas”.
Autor: Milton José Júnior, o espião de
estilo
Ator, escritor e criador de
conteúdo



Parabéns pelo texto! Muito interessante. Parabéns pelo blog, Lucas!
ResponderExcluirQue texto bacana. Eu achei diferente misturar a moda com a filosofia. Nunca vi por esse lado.
ResponderExcluirVocê escreve muito bem, Milton. Sempre nos surpreendendo. Parabéns pelo Blog Lucas. Vou acompanhar.
ResponderExcluirHahaha Gostei da metáfora! Texto super bem escrito. Parabéns aos envolvidos.
ResponderExcluirJá estava animada com o texto. Agora com a live. Vou acompanhar amanhã.
ResponderExcluirJá estava na hora de nos presentear com um texto novo, Milton. Você é inteligente! Suas reflexões são na medida certa. Parabéns Lucas pelo blog. Já tinha visto o Milton postar sobre você, mas vou ler mais por aqui.
ResponderExcluirVim pelo Milton. Fiquei meio surpreso. Moda e filosofia? E leio esse texto! Já estou querendo mais. HAHAHA Parabéns Milton e Lucas pelo blog!
ResponderExcluirMiltoooonn depois desse texto já pode sair o livro novo né? Que texto maravilhoso! Vou compartilhar para os amigos. Parabéns pelo blog Lucas. Eu vi o Milton publicando sobre uma reflexão que fez. E adorei. Filosofia não é muito minha praia, mas adorei algumas coisas que li sua.
ResponderExcluirParabéns pela escolha Lucas. O Milton é um grande ser humano e artista. É um dos caras mais inteligentes que conheço, que se dedica de verdade. Mas você também me parece ser. Dei uma lida nos outros textos. Parabéns!
ResponderExcluirQue texto lindo, Milton! Como amo o que você escreve. Parabéns Lucas pelo blog. Estou dando uma olhada nos outros textos.
ResponderExcluirQue maravilhoso! Parabéns
ResponderExcluirNossa eu nunca pensei sobre isso. Gostei da reflexão! A moda faz parte do nosso dia a dia e nem paramos para pensar. Aprendo tanto com você Milton. Parabéns professor Lucas por convidar esse menino que tanto admiro.
ResponderExcluirQue maravilhoso, Milton. Eu falei que ia amar. Parabéns Lucas pela iniciativa.
ResponderExcluirParabéns aos jovens pela união e lindo trabalho. O Milton sempre nos surpreendendo com seu trabalho. E parabéns professor Lucas por unir seu trabalho aos jovens artista.
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