quarta-feira, 8 de julho de 2020

O medo é uma roupa que nunca sai de moda. E a moda é um medo que está sempre na moda.

A moda é um elemento influente na civilização desde o Renascimento. Atinge um número crescente de campos de atividades da mulher e do homem moderno. Uma percepção da moda deveria fornecer, portanto, para um entendimento de nós mesmos e de nosso modo de agir. E porque em vez de restringirmos nosso olhar ao setor das roupas, não consideramos que esse elemento penetra os limites de todos os outros campos do consumo e pensamos que sua consequente também adentra a política, a arte e a ciência?
A moda afeta o costume e a postura da maioria das pessoas em relação a si mesmas e aos outros. Muitas delas negariam isso, mas essa negativa é contradita por seus hábitos de consumo. Mas é possível dizer que todas as vestimentas servem de alicerce para tal sistema de significados? Duvidoso. É evidente que nem todas as vestimentas podem ser decifradas, de tal maneira que a palavra “moda” tem um referencial maior que “roupas”.

Oh, Milton? O que o medo tem a ver com a moda, ou a moda com a filosofia? Então, escrever um texto filosófico é uma provocação, pois trata-se de uma escrita reservada e vigilante. Os contextos devem ser claros e o estilo breve, caso contrário corre-se o perigo de não ser bem entendido. Daí vem o meu medo, o medo de tomar a decisão de escrever um texto filosófico referente a minha nova área de atuação, portanto, o medo está na moda e é inquietação permanente para a humanidade.


É uma metáfora? Sim. Culpa do medo? Vários medos envolvem a tomada de decisão de homens e mulheres. Existem o medo de errar, medo de perder, medo de fracassar, medo do desconhecido. Mas o medo de tomar decisões deriva da insegurança. Espontaneamente, nós sentimos medo como reação adequada de preservação. Este medo que nos resguarda é considerado um “bom medo”, visto que a carência dele nos abandona expostos à sorte.

Todavia, quando ele advém de maneira excessiva, pode nos neutralizar, furtando nosso livre-arbítrio de escolha. E escolher é, por vezes, uma questão desconfortante.

Certa vez, ouvi de um vendedor que tinha um elevado posto entre os demais vendedores numa loja de shopping. Posto dos sonhos de muitos outros jovens vendedores do mesmo local. Bom salário, nome no quadro de funcionário do mês, excelentes benefícios e o respeito conquistado pelos anos. Do outro lado, uma cliente com aparente estabilidade. Porém, mesmo com contexto benévolo, ela não se sentia feliz e definiu que não queria levar mais o novo vestido. Ela já estava certa de que não levaria, porém sua maior dificuldade era convencer suas amigas da sua sentença. Recebeu críticas do vendedor: “vestido igual a esse você nunca mais vai encontrar”. Todas as vezes que ela ensaiava o “não vou levar”, ela escutava as críticas. O medo a fez insistir numa compra infeliz.

Ser um encarcerado do medo é uma forma restrita de levar a vida. Ao nos encontrarmos com uma situação de insegurança é bom meditarmos à luz da sabedoria do escritor Mark Twain: “coragem não é a ausência do medo, e sim o enfrentamento dele”. Sim, é mais simples escrever do que praticar.

Oh, Milton? Eu compreendi o medo, mas e a relação da moda e a filosofia? A principal incumbência da “moda” para além de ensinar a produzir roupas ou acessórios, é nos fazer refletir sobre o “comportamento” dos consumidores. A notar comportamentos socioculturais e um universo em constante mutação. Essas percepções só acontecem com contribuição da filosofia. É preciso saber e entender a teoria da moda, entender sua existência e o que comunica através de códigos. 
A moda tem códigos? Eu respondo com uma citação do filósofo escocês, nascido em 1795, Thomas Carlyle: “todo o Universo exterior e o que ele contém nada é senão Vestimenta; e a essência de toda Ciência reside na filosofia das roupas”.


Autor: Milton José Júnior, o espião de estilo
Ator, escritor e criador de conteúdo

14 comentários:

  1. Parabéns pelo texto! Muito interessante. Parabéns pelo blog, Lucas!

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  2. Que texto bacana. Eu achei diferente misturar a moda com a filosofia. Nunca vi por esse lado.

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  3. Você escreve muito bem, Milton. Sempre nos surpreendendo. Parabéns pelo Blog Lucas. Vou acompanhar.

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  4. Hahaha Gostei da metáfora! Texto super bem escrito. Parabéns aos envolvidos.

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  5. Aparecida de Oliveira8 de julho de 2020 às 14:47

    Já estava animada com o texto. Agora com a live. Vou acompanhar amanhã.

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  6. Já estava na hora de nos presentear com um texto novo, Milton. Você é inteligente! Suas reflexões são na medida certa. Parabéns Lucas pelo blog. Já tinha visto o Milton postar sobre você, mas vou ler mais por aqui.

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  7. Vim pelo Milton. Fiquei meio surpreso. Moda e filosofia? E leio esse texto! Já estou querendo mais. HAHAHA Parabéns Milton e Lucas pelo blog!

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  8. Miltoooonn depois desse texto já pode sair o livro novo né? Que texto maravilhoso! Vou compartilhar para os amigos. Parabéns pelo blog Lucas. Eu vi o Milton publicando sobre uma reflexão que fez. E adorei. Filosofia não é muito minha praia, mas adorei algumas coisas que li sua.

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  9. Parabéns pela escolha Lucas. O Milton é um grande ser humano e artista. É um dos caras mais inteligentes que conheço, que se dedica de verdade. Mas você também me parece ser. Dei uma lida nos outros textos. Parabéns!

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  10. Que texto lindo, Milton! Como amo o que você escreve. Parabéns Lucas pelo blog. Estou dando uma olhada nos outros textos.

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  11. Que maravilhoso! Parabéns

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  12. Nossa eu nunca pensei sobre isso. Gostei da reflexão! A moda faz parte do nosso dia a dia e nem paramos para pensar. Aprendo tanto com você Milton. Parabéns professor Lucas por convidar esse menino que tanto admiro.

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  13. Que maravilhoso, Milton. Eu falei que ia amar. Parabéns Lucas pela iniciativa.

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  14. Parabéns aos jovens pela união e lindo trabalho. O Milton sempre nos surpreendendo com seu trabalho. E parabéns professor Lucas por unir seu trabalho aos jovens artista.

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